segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pra quem gostou d'A Elegância do Ouriço...

Voltando do Rio nesse final de semana, me deparei, na livraria do aeroporto, com o recém-publicado (no Brasil) "A morte do gourmet", primeiro livro da Muriel Barbery, autora do extraordinário "A elegância do ouriço". Comprei e devorei - ou, melhor dito, neste caso, degustei. O livro é uma verdadeira viagem gustativa. Maravilhoso, apesar de menos intenso e mais efêmero que "A elegância...". Seguem abaixo alguns trechos, para despertar os paladares e a curiosidade...

"...isso é que é bom na hora dos doces: só são apreciados em toda a sua sutileza quando não comemos para matar a fome e quando essa orgia de doçura não satisfaz a uma necessidade primária, mas cobre nosso palato com a benevolência do mundo" (pp. 24).

"A carne é viril, poderosa, o peixe é estranho e cruel. Vem de outro mundo, o de um mar secreto que jamais se entregará, demonstra a absoluta relatividade da nossa existência e, no entanto, dá-se a nós no desvendamento efêmero de uma região desconhecida. Quando eu saboreava aquelas sardinhas grelhadas, como um autista a quem nada, naquela hora, conseguia perturbar, sabia que me tornava humano por esse extraordinário confronto com uma sensação vinda de outros lugares e que me ensinava, por contraste, minha qualidade de homem" (pp. 36).

"Deus, isto é, o prazer bruto, sem partilha, aquele que sai do núcleo de nós mesmos, que só leva em consideração nosso próprio gozo e que da mesma forma volta a ele; Deus, isto é, essa região misteriosa de nossa intimidade em que estamos inteiramente entregues a nós mesmos na apoteose de um desejo autêntico e de um prazer sem mistura" (pp. 124).

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