Diz o meu avô que a chuva de agosto é a chuva do caju e que, esse ano, ela chegou uns 15 dias atrasada - o tempo dela é, na verdade, o início do mês, quando os cajueiros começam a florescer anunciando a fartura dos frutos. Mas, pelo caju ou não, o fato é que a chuva de ontem nos surpreendeu a todos.
Impõe um certo momento de suspensão, uma chuva em pleno período de seca em Brasília. É como se tudo o mais parasse e perdesse a importância durante aqueles breves minutos em que a água vai caindo. O vento, o cheiro, o som. A chuva é um pacote completo de despertar sensorial. Enleva e eleva. Pelo menos aqui, nessas terras áridas do planalto central. A chuva aqui definitivamente não é a mesma chuva de São Paulo ou do Rio, onde ela anuncia mais catástrofe que redenção.
Acho que essa chuva de ontem nos alivia um pouco desse arrastar sem fim que é o mês de agosto. Outro dia, uma amiga comentou que agosto parecia ter 20 semanas - não acabava nunca! Respondi a ela que era porque agosto é o começo do fim: é o primeiro mês útil do fim do ano, é quando nos damos conta de que nosso arbitrário tempo está se acabando. Aí é aquela correria louca - de repente se esgotam todos os prazos do mundo e os dias parecem não ter fim.
Daí vem a chuva pra nos avisar que, com prazo ou sem prazo, o Tempo não é nosso. E que mais vale então parar por 10 minutos pra sentir a brisa e o perfume da terra molhada. Merecida pausa de mil compassos num mês de 20 semanas....
Que bom ver um novo artigo no blog. É como uma chuva de mil compassos num mês de 20 semanas. bjs
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