Tenho sim um lado ufanista. Apesar dos pesares, adoro o Brasil e adoro propagandar as maravilhas da nossa terra por aí. Nada de carnaval e futebol - muito óbvio, muito clichê, muito irritante. Mas a música, a criatividade, o colorido, a diversidade cultural e o espírito leve, informal e, sempre que possível, alegre desse país. É isso o que desperta meu ufanismo, mesmo nos momentos de mais profunda desilusão.
O 7 de setembro definitivamente não me comove. Acho meio patética a insistente tentativa de fazê-lo parecer às demais festas nacionais mundo afora e essa história de desfile militar é o fim. A data não desperta nenhum sentimento profundo de amor à pátria, não te permite nenhuma associação ou vinculação a um processo real e generalizado de independência. Pra mim, a única independência que se proclamou naquele 7 de setembro foi a de D. Pedro, que ali, às margens do Ipiranga, decidiu que era já bem grandinho para seguir obedecendo a seu pai. Saiu bem na fita, o rapaz. Virou imperador e levou este enorme país verde e amarelo.
Desse momento em diante, o que o Brasil experimentou foi uma longa sucessão de dependências as mais diversas.
Independência de verdade, acho que é outra coisa. E, no nosso caso, acho que são alguns e plurais momentos ao longo de uma história mais recente. O sufrágio universal, a constituinte de 1988, a eleição do Lula, o FMI saindo do país. Foram todos gritos de independência bem mais audíveis, bem mais reais que aquele remoto "Independência ou Morte".
Hoje, portanto, aproveito o feriado para saudar nosso país e nosso povo por estar continuamente conquistando sua independência, apesar do 7 de setembro...
E que coisa irônica.
ResponderExcluirA história política do Brasil foi tudo, menos caracterizada por atos excludentes - ainda que eles tenham vez ou outra ocorrido. E, claro, isso tem a ver com muitas dificuldades de formação, mas tb, algumas virtudes, bom, eu acredito nisso. Por outro lado, nossa mitologia nacional vibra - ou vibrou um bocado de tempo - com essa frase, quixotesca! "Independência..." E quase toda nação tem um apelo à morte em seus bordões. Será que as nações foram criadas por agentes funerários? Arri égua! Será que ainda tem jeito pra levar essa humanidade a sério - como se diz em Salvador: "Na vera!"
Ou ainda vamos ter que nos inventar outra humanidade, com os pedaços dessa que tá aí, na esperança de que isso possa...