Uma das minhas favoritas da Elis, finalmente gravada por Gil, que a compôs. E Maria Rita faz bonito junto com ele... Aproveitem!
terça-feira, 2 de março de 2010
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Parênteses de final de ano
Loooonga ausência. Mas, nos espaços que são nossos, sempre voltamos a aparecer. E eis-me aqui, para registrar que o ano finalmente termina e que algum tempo - ou alguma sensação de tempo, pra ser mais correta - volta às minhas mãos.
Gosto muito dos finais de ano - esses ritos de renovação. Tenho sempre essa sensação gostosa de que, por algumas semanas, abre-se um hiato, um parênteses no calendário, nas agendas, nos relógios e podemos pensar, sonhar e fazer várias pequenas coisas que, no correr ligeiro do período de fora do parênteses, escorrem feito areia por entre os dedos. É uma ilusão boa de se ter, essa. Arrumar armários e gavetas, cozinhar, ligar e escrever para amigos distantes, terminar aquele romance começado e recomeçado infinitas vezes, ouvir música esparramada no sofá, sem fazer mais nada além de ouvir música (isso sim é que é luxo!). Várias pequenas grandes coisas que cabem no espacinho desse parênteses. Delícia pura.
Numa dessas, escutei a playlist da rádio Eldorado com algumas canções dos 10 melhores álbuns nacionais de 2009 - segundo a Eldorado. Não sei se são os top 10 de verdade - se tem algo que não acompanhei durante o ano foram os lançamentos desse mercado musical... - mas as músicas são muito boas e as e os eleitos também. Tem Adriana Calcanhoto cantando Gatinha Manhosa! Do Léo Jaime, lembra?? Muito bom... gosto de final de infância... Enfim, segue o link para a playlist. Abram seus parênteses e façam ótimo proveito!
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/musicas/playlists/playlist.php?guid=EB2CCF0E2016449B813915AC65065CF8,melhores-%C3%A1lbuns-de-2009---nacionais-
Gosto muito dos finais de ano - esses ritos de renovação. Tenho sempre essa sensação gostosa de que, por algumas semanas, abre-se um hiato, um parênteses no calendário, nas agendas, nos relógios e podemos pensar, sonhar e fazer várias pequenas coisas que, no correr ligeiro do período de fora do parênteses, escorrem feito areia por entre os dedos. É uma ilusão boa de se ter, essa. Arrumar armários e gavetas, cozinhar, ligar e escrever para amigos distantes, terminar aquele romance começado e recomeçado infinitas vezes, ouvir música esparramada no sofá, sem fazer mais nada além de ouvir música (isso sim é que é luxo!). Várias pequenas grandes coisas que cabem no espacinho desse parênteses. Delícia pura.
Numa dessas, escutei a playlist da rádio Eldorado com algumas canções dos 10 melhores álbuns nacionais de 2009 - segundo a Eldorado. Não sei se são os top 10 de verdade - se tem algo que não acompanhei durante o ano foram os lançamentos desse mercado musical... - mas as músicas são muito boas e as e os eleitos também. Tem Adriana Calcanhoto cantando Gatinha Manhosa! Do Léo Jaime, lembra?? Muito bom... gosto de final de infância... Enfim, segue o link para a playlist. Abram seus parênteses e façam ótimo proveito!
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/musicas/playlists/playlist.php?guid=EB2CCF0E2016449B813915AC65065CF8,melhores-%C3%A1lbuns-de-2009---nacionais-
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
À lua
Há dias em que a lua aparece branca
Inteira
Iluminada
E o reverso faz-se direito
Teso, retilíneo.
Mas também leve e fugidio
Quase corriqueiro
Quase corredio
Quase sombra se não fosse luz
E o revolto faz-se pacífico
Lento e dourado
Caminhando pela áurea escuridão alumiada
Embalado por um cântico de eternas noites
De eternas notas
De infinitos suspiros
De ventos quase brisas
E de brisas quase ventos
E as cores, já menos cores
Espelham brilho
Ressaltam contornos
Abrem caminhos
Para deixar passar a lua
Que às vezes surge inteira
Branca
Iluminando
Nina Madsen
Inteira
Iluminada
E o reverso faz-se direito
Teso, retilíneo.
Mas também leve e fugidio
Quase corriqueiro
Quase corredio
Quase sombra se não fosse luz
E o revolto faz-se pacífico
Lento e dourado
Caminhando pela áurea escuridão alumiada
Embalado por um cântico de eternas noites
De eternas notas
De infinitos suspiros
De ventos quase brisas
E de brisas quase ventos
E as cores, já menos cores
Espelham brilho
Ressaltam contornos
Abrem caminhos
Para deixar passar a lua
Que às vezes surge inteira
Branca
Iluminando
Nina Madsen
domingo, 20 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Independência de quem, mesmo?
Tenho sim um lado ufanista. Apesar dos pesares, adoro o Brasil e adoro propagandar as maravilhas da nossa terra por aí. Nada de carnaval e futebol - muito óbvio, muito clichê, muito irritante. Mas a música, a criatividade, o colorido, a diversidade cultural e o espírito leve, informal e, sempre que possível, alegre desse país. É isso o que desperta meu ufanismo, mesmo nos momentos de mais profunda desilusão.
O 7 de setembro definitivamente não me comove. Acho meio patética a insistente tentativa de fazê-lo parecer às demais festas nacionais mundo afora e essa história de desfile militar é o fim. A data não desperta nenhum sentimento profundo de amor à pátria, não te permite nenhuma associação ou vinculação a um processo real e generalizado de independência. Pra mim, a única independência que se proclamou naquele 7 de setembro foi a de D. Pedro, que ali, às margens do Ipiranga, decidiu que era já bem grandinho para seguir obedecendo a seu pai. Saiu bem na fita, o rapaz. Virou imperador e levou este enorme país verde e amarelo.
Desse momento em diante, o que o Brasil experimentou foi uma longa sucessão de dependências as mais diversas.
Independência de verdade, acho que é outra coisa. E, no nosso caso, acho que são alguns e plurais momentos ao longo de uma história mais recente. O sufrágio universal, a constituinte de 1988, a eleição do Lula, o FMI saindo do país. Foram todos gritos de independência bem mais audíveis, bem mais reais que aquele remoto "Independência ou Morte".
Hoje, portanto, aproveito o feriado para saudar nosso país e nosso povo por estar continuamente conquistando sua independência, apesar do 7 de setembro...
O 7 de setembro definitivamente não me comove. Acho meio patética a insistente tentativa de fazê-lo parecer às demais festas nacionais mundo afora e essa história de desfile militar é o fim. A data não desperta nenhum sentimento profundo de amor à pátria, não te permite nenhuma associação ou vinculação a um processo real e generalizado de independência. Pra mim, a única independência que se proclamou naquele 7 de setembro foi a de D. Pedro, que ali, às margens do Ipiranga, decidiu que era já bem grandinho para seguir obedecendo a seu pai. Saiu bem na fita, o rapaz. Virou imperador e levou este enorme país verde e amarelo.
Desse momento em diante, o que o Brasil experimentou foi uma longa sucessão de dependências as mais diversas.
Independência de verdade, acho que é outra coisa. E, no nosso caso, acho que são alguns e plurais momentos ao longo de uma história mais recente. O sufrágio universal, a constituinte de 1988, a eleição do Lula, o FMI saindo do país. Foram todos gritos de independência bem mais audíveis, bem mais reais que aquele remoto "Independência ou Morte".
Hoje, portanto, aproveito o feriado para saudar nosso país e nosso povo por estar continuamente conquistando sua independência, apesar do 7 de setembro...
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
Appris par corps
Ontem fui assistir ao espetáculo Appris par Corps, da companhia Un loup par l'homme, parte da programação do Cena Contemporânea desse ano (aliás, imperdível!).
São dois homens no palco, dialogando através da dança e da acrobacia de uma maneira impressionante. Apesar da intensidade dos movimentos, há muita leveza, fluidez e sintonia, o que acaba por eliminar, em boa parte do tempo, aquela suspensão da respiração típica de espetáculos circenses/acrobáticos.
Vale a pena ver pela beleza e precisão do trabalho corporal, pelo bom-humor do espetáculo e pelas reações da platéia - umas das partes mais divertidas da noite, eu achei. Metade achava que estava diante de um quadro circense; a outra, pensava que assistia a um super cult espetáculo de dança contemporânea. Resultado: no meio do espetáculo, depois de uma acrobacia impressionante qualquer, a primeira metade aplaudia e soltava gritinhos de empolgação (como no circo), enquanto a outra metade, com cara feia e arrogante, pedia silêncio num coro de ssshhhhhh (como que pedindo o silêncio necessário à apreciação da arte em cena). Hilário!
São dois homens no palco, dialogando através da dança e da acrobacia de uma maneira impressionante. Apesar da intensidade dos movimentos, há muita leveza, fluidez e sintonia, o que acaba por eliminar, em boa parte do tempo, aquela suspensão da respiração típica de espetáculos circenses/acrobáticos.
Vale a pena ver pela beleza e precisão do trabalho corporal, pelo bom-humor do espetáculo e pelas reações da platéia - umas das partes mais divertidas da noite, eu achei. Metade achava que estava diante de um quadro circense; a outra, pensava que assistia a um super cult espetáculo de dança contemporânea. Resultado: no meio do espetáculo, depois de uma acrobacia impressionante qualquer, a primeira metade aplaudia e soltava gritinhos de empolgação (como no circo), enquanto a outra metade, com cara feia e arrogante, pedia silêncio num coro de ssshhhhhh (como que pedindo o silêncio necessário à apreciação da arte em cena). Hilário!
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