domingo, 7 de junho de 2009

Fantasia do eterno retorno

Vai parecer assim, meio auto-ajuda, mas não é não. É desabafo, crítica ao ritmo urbano contemporâneo da vida. O fato é que não me conformo com nossa crescente falta de habilidade pra se relacionar com o Tempo. Não o tempo arbitrário, horas, minutos e segundos, algozes controladores da nossa vida pós-moderna, mas o Tempo entidade, forte, cíclico, inescapável. Tempo caminhar da vida, certo e ininterrupto.

Somos inábeis porque resistimos a compreender a inescapabilidade deste Tempo maiúsculo e a aceitar o movimento que ele impõe à vida. Insistimos na possibilidade de fazê-lo parar, retroceder, diminuir a marcha. E é impressionantemente vã toda a tentativa.

Penso nas agendas ultra-lotadas, nos compromissos acumulados e impossíveis, no descuido do corpo, da mente, do mundo, na obsessão pela juventude. Corremos contra.

Esse é um tema pra mim. Tem sido. Como criatura urbana - ainda que de uma urbanidade bizarra como essa de Brasília - e meio romântica, alimento a fantasia do retorno ancestral à terra, onde o cotidiano caminha junto com o Tempo, e não contra ele. E isso mobiliza muita coisa em mim, me faz questionar muitas coisas. Por exemplo: o que comer, por que comprar, onde morar, o que jogar fora, como e em que trabalhar, que causas abraçar e com que intensidade, como me mover pela cidade, como me relacionar, quanto me dedicar à minha casa e à minha vida doméstica. Difícil DEMAIS encontrar respostas viáveis a essas perguntas. Quero dizer, difícil colocar em prática as respostas que encontramos, porque elas vão contra a maré do mundo. E veja como a coisa aí fica complicada: elas vão a favor do Tempo (esse que defini ali encima), mas contra o ritmo ocidental pós-moderno da nossa humanidade. Conta difícil de fechar.

E, porque é difícil, alimento a fantasia do retorno. Retorno idealizado, está claro, porque eu mesma nunca experimentei, de verdade, essa vida idílica e harmônica com que sonho. Enquanto isso, vou buscando caminhos possíveis de aproximação (a esmiuçar nos próximos posts...).

Um comentário:

  1. Olhos grandes...
    Já vi que você vai desafiar nosso tempo de amig@s...
    Vai acalentar nosso coração...
    Vai nos propor curiosidades...
    Vai nos acostumar a idéias...
    E vai fazer com que a gente goste mais e mais dessa menina!
    Pronto.
    Tamo tudo lascad@s!
    (ou não...)

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