Louco, criar um blog. Faz muito tempo que penso nisso. Sempre tive muitas resistências à idéia, porque sempre a associava à coisa do diário público - algo que me incomoda profundamente, aliás. E olha que sou uma escritora de diários desde que me lembro, mas pra mim eles são tão pessoais e intransferíveis, que não entendo muito a moda de torná-los públicos. Mas bem, o mundo é vasto e a mente e os desejos humanos mais ainda. O que quero dizer é que não será este blog um diário público.
O que ele será, aí já não sei muito bem. Espaço para escritos vários - meus e de amigos que escrevem. Um mexido de crônicas, opiniões e, por que não, de literatura. Vai ser deixar fluir a necessidade da escrita na forma que vier, e dialogar sobre o que sair.
Olhos Grandes, porque os tenho, porque gosto da imagem, da idéia - pra mim sinônimo de curiosidade, observação, avidez, encantamento. E também por causa de um belo livro de contos da Angeles Mastretta (Mujeres de Ojos Grandes), que, por acaso, andei relendo logo antes de querer começar este blog. São histórias das tias da autora (e aí não sei quantas são as tias reais e quantas são as fictícias), suas vidas, suas paixões, seus momentos mais marcantes na vida.
"Las tías de Mujeres de ojos grandes rompen con lo establecido buscando su propia felicidad. Sin necesidad de una lucha consciente o totalmente abierta, en contra del poder patriarcal y sin discutir causas o tesis feministas específicas, van en contra de convenciones morales y sociales que las oprimen y les impiden libertad sexual y de acción. En su entrevista con Mauricio Carrera, Ángeles Mastretta afirmaba que, efectivamente, "son mujeres que ponen de manifiesto el poder que tienen en sus casas y el poder que asimismo tienen para hacer con sus vidas lo que quieran, aunque no lo demuestren. Son mujeres poderosas que se saben poderosas pero que no lo ostentan"". (Carlos M. Coria-Sánchez)
Belo. Leitura que vale a pena.
Enfim, é isso que o blog vai ser: lugar de traduzir as imagens retidas por grandes olhos.
Cadê meu comentário? Li pela segunda vez, depois de horas de caminhada por Oslo. Dia de verão, dia enquanto já é noite. Verão na escandinávia. mas, ao reler, senti o mesmo valor. Camo diz o Allan, que bom estar seguindo este dois grandes olhos.
ResponderExcluirbjs